Reitora Lia Maria Herzer Quintana, do Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp)

Pela primeira vez, desde que foi fundado, em 1966, o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub) elegeu uma reitora para a sua Presidência. Lia Maria Herzer Quintana, do Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp), foi eleita por aclamação durante a 95ª Assembleia Geral Extraordinária e Eletiva, que ocorreu no dia 29 de setembro, via plataforma digital.

A diretoria, que ficará à frente da instituição no período de outubro de 2021 a setembro de 2023, é composta ainda pelos reitores Waldemiro Gremski, que ocupou anteriormente o cargo de presidente, na 1ª vice-presidência, representando as IES comunitárias; Margarida de Aquino, representando as federais, na 2ª vice-presidência; Rodrigo Bruno Zanin, pelas públicas estaduais e municipais, na 3ª vice-presidência, e Beatriz Maria Eckert-Hoff, representando as IES particulares, na 4ª vice-presidência.

Também conselheira da Câmara de Engenharia Civil do CREA-RS, a reitora Lia Maria Herzer Quintana conversou com a Conselho em Revista.

O QUE REPRESENTA ESTAR À FRENTE DO CONSELHO DE REITORES DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS COMO A PRIMEIRA MULHER ELEITA EM 56 ANOS? 

QUAIS SÃO AS SUAS METAS NA PRESIDÊNCIA DESTE CONSELHO? 
 

Darmos continuidade às propostas e projetos traçados na diretoria anterior, da qual eu também fazia parte como vice-presidente. Vamos manter o projeto de revitalização do Crub, reafirmando que o nosso Conselho é o espaço da educação superior, é o espaço de todos os dirigentes e de todas as organizações acadêmicas, de todos os segmentos do ensino superior. Queremos ainda promover as reuniões do Fórum de Presidentes Crub para mantermos a sintonia e atualizados em nossas comunicações para alavancarmos juntos e de forma articulada, as nossas iniciativas. Temos que construir todos juntos uma educação que seja para o Brasil, que seja para todos. Quero dizer da satisfação pela composição da nossa diretoria. 
 

 

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS NO ENSINO, PRINCIPALMENTE NAS ÁREAS DA ENGENHARIA, AGRONOMIA E GEOCIÊNCIAS, TANTO PARA O PROFESSOR QUANTO PARA O ALUNO? 

 

O principal desafio não está nos cursos e sim no desenvolvimento do País e de políticas de incentivos à educação, de forma geral. Com relação aos professores e alunos, o entendimento que temos é o de focarmos na modernização do ensino das Engenharias e da Geociência, com conhecimentos específicos e as devidas competências desenvolvidas para a solução de problemas reais. 
 

 

ONDE ESTÃO OS GARGALOS DO ENSINO BRASILEIRO? 

 

Os gargalos do ensino brasileiro passam pelo financiamento estudantil em suas diferentes possibilidades (comunitária, particular e pública), pelo desenvolvimento e avanço da ciência, tecnologia e inovação, e pela condução e novos desafios que teremos no pós-pandemia. 


 

QUAL É O PERFIL DO PROFISSIONAL QUE ESTÁ SAINDO DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS PÓS-PANDEMIA? 

 

O perfil varia de acordo com o modelo educacional praticado por cada Instituição de Ensino Superior, mas o foco continua sendo prepararmos profissionais que estejam aptos para as ofertas que o mercado demanda e oferece. Na Urcamp iniciamos, em 2019, um formato de ensino inovador, denominado Graduação i. O currículo estimula as habilidades de cada um tanto no ramo profissional quanto pessoal, como a comunicação, por exemplo. Neste formato os nossos acadêmicos trabalham projetos que são demandados pela comunidade e entregam o resultado, com as soluções. Acreditamos neste caminho, o da Instituição de Ensino Superior preparando, de fato, este estudante para o mercado e oferecendo-lhe oportunidade de experiência na área, desde a sua graduação. 

 

 

NO CRUB EXISTE DISCUSSÃO SOBRE AS DIRETRIZES CURRICULARES DAS UNIVERSIDADES SOBRE O ENSINO EAD DA ENGENHARIA, AGRONOMIA, GEOCIÊNCIAS? 

 

Estamos construindo um Plano Nacional de Graduação, um desafio sem precedentes. Nesta proposta, obrigatoriamente, será discutido o modelo do ensino e suas formas adequadas ao século XXI e o pós-pandemia, onde as DCN se tornam ferramentas necessárias. Em relação ao EAD e presencial, durante quase dois anos surgiram outros conceitos de se ministrar aula - presencial virtualizado, aulas síncronas e aprendizado através da tecnologia. Estes conceitos, necessariamente, precisam ser revisados regularmente, rediscutidos e regulamentados. Lembramos que estas se constituem de diretrizes que são definidas pelo Conselho Nacional de Educação, o CNE. 

 

 

COMO PODEMOS FORTALECER AS RELAÇÕES ENTRE O SISTEMA CONFEA/CREA E AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO, CONSIDERANDO QUE A SENHORA É CONSELHEIRA DO CREA-RS? 

 

O fortalecimento das relações dos conselhos das profissões regulamentadas (Confea/Crea) e as instituições de ensino, se dará com o diálogo, a troca e o entendimento dos modelos de Ensino Superior do século XXI pós-pandemia. 

 

 

EM QUAL ÁREA DE ENSINO SE VERIFICA MAIOR EVASÃO E QUANTO A PANDEMIA PODE TER INFLUENCIADO ESTE QUANTITATIVO? 

 

A evasão, neste momento, se reflete em todas as áreas de formação, exceto na área da saúde. Diagnóstico que está prejudicado de forma a mensurar quantitativamente, em razão da pandemia, uma vez que no qualitativo, percebe-se a não diminuição de procura por cursos da área da saúde. 



 

O NÚMERO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR ATENDE À DEMANDA DE ALUNOS? 

 

Isso depende da região, da posição geográfica das IES e do formato de ensino adotado por cada Instituição de Ensino Superior. 

download da entrevista [pdf]

© 2021 CREA-RS. Todos os direitos reservados.