Robótica, base de dados e inteligência artificial: o provável futuro da Engenharia

Durante a segunda metade do século XVIII, o mundo experienciou pela primeira vez um contexto de crescimento industrial. Cerca de cem anos depois, as máquinas têxteis estavam difundidas, não apenas na Inglaterra, como no mundo inteiro, e deram lugar à nova leva de inovação com a segunda revolução industrial.

 

Avançando mais 50 anos, chegamos à era digital e de grande crescimento bélico oriundo de duas guerras mundiais. Em tempo menor ainda, o ser humano escalou até a quarta revolução industrial, com automação, inteligência artificial, internet e por aí seguimos em uma série de inovações relevantes nos dias de hoje.

 

Ao analisar esse padrão, faz sentido dizer que o futuro chega cada vez mais rápido. Foi a partir dessa afirmação que a AI Robots surgiu. Fundada em 2019, a empresa de Belo Horizonte é gerida pelo casal Luma Boaventura Favarini e Daniel Favarini. Embora tenha começado com foco na indústria, a AI Robots oferece serviços de robótica, inteligência artificial e base de dados para todos os setores.

 

“Fundamos a empresa primeiro olhando para a indústria, para o segmento de indústria 4.0 e como podemos ajudar nosso país a se desenvolver. Porém, nascemos olhando para fora, justamente para aprender com os principais países que estão evoluídos”, explica Luma.

Luma Boaventura e Daniel Favarini

Participação dos fundadores da AI Robots Luma Boaventura e Daniel Favarini no evento SingularityU, em São Paulo

Serviços guiados por base de dados

 

Para entender o trabalho proposto pela AI Robots, é preciso compreender como funcionam os serviços guiados por base de dados. Trata-se da análise de big data - grande volume de dados - para a tomada de decisão dentro do dia a dia de uma empresa.

 

“Normalmente a gente entende os principais pontos de perguntas que queremos responder com aqueles dados e, então, esmiuçamos as bases para saber quais são as técnicas de inteligência artificial que iremos usar naquele emaranhado de dados para tirar as conclusões a partir da aplicação”, detalha a fundadora.

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MEMÓRIA

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Equipe AI Robots

Equipe da AI Robots em instalação de um robô para abertura de vagões, destinado para cliente no segmento de celulose

A coleta de dados não é nada revolucionária em si, mas oferece uma vasta gama de possibilidades, principalmente ao ser aliada à inteligência artificial. Luma reforça o potencial de impacto da IA dentro da sociedade 5.0 do futuro, desde os conceitos de reinforcement learning, deep learning, aprendizado supervisionado e não supervisionado, machine learning e demais contextos.

 

Um dos primeiros pontos abordados pela empresa é justamente a desmistificação da inteligência artificial. Muito popular em filmes e tema recorrente desde as obras de Isaac Asimov, a tecnologia hoje está consolidada em diversos setores do mercado.

Nem toda inteligência artificial opera um robô ou ciborgue, contrariando o imaginário coletivo criado por Hollywood. “Na construção e na Engenharia Civil, algumas empresas começaram a fazer a integração de ferramentas BIM com ferramentas de IA e de avanço de projeto. Hoje, têm ferramentas de IA até para medições e RDOs de projetos. O RDO pode ser trabalhado integrado com o sistema e com a IA, ou uma RPA (robotic process automation), para entender os avanços desse projeto”, explica Luma.

Luma Boaventura

Demonstração de robô criado pela AI Robots para tarefa de chão de fábrica; Luma Boaventura

Luma Boaventura

Participação da fundadora da AI Robots Luma Boaventura no evento SingularityU, em São Paulo

O próximo passo: automação

Além de oferecer a aplicação de inteligência artificial e de serviços guiados à base de dados, a AI Robots alia o seu conhecimento com a robótica física, como robôs de chão de fábrica, robôs de construção e outras aplicações diversas que envolvem hardware em campo.

 

“A gente avalia as bases de dados e o que temos de ferramentas na mesa para solucionar os desafios. Têm soluções que são altamente inovadoras, desde a criação de um robô para abertura de vagões, que aconteceu com um cliente nosso no segmento de celulose, até soluções que são mais rotineiras do mercado. Por exemplo, trabalhar uma IA ou uma RPA para automatização de processos dentro do meu espaço, ou seja, um robô que alimenta planilhas, entre outros”, comenta a fundadora.

 

Dentro do contexto da construção, por exemplo, todos esses conceitos se alinham em prol de maior produtividade. Assim como o robô auxiliar de vagões citado acima, as máquinas podem ser configuradas para realizar outras tarefas manuais e repetitivas, como pintura e processos operacionais em um canteiro de obras.

 

De acordo com Luma Boaventura, “tem muito robô que é colaborativo, que trabalha em conjunto com o ser humano, para ajudar nas tarefas que são muito repetitivas para que, justamente, o operador possa focar nas tarefas que são mais gerenciais. São criados novos empregos com esse processo e entra a educação nesse contexto. Porque não dá para trazermos a tecnologia em massa sem preparar a sociedade”.

 

Já imaginou um canteiro de obras repleto de máquinas automatizadas e encarregadas de todo o trabalho braçal? Pois bem, essa é uma das possibilidades cada vez mais reais. Claro que a presença de humanos seguirá necessária, mas com participação diferente.

 

Embora a aplicação da robótica em fábricas e canteiros de obra levante debates éticos e laborais, a fundadora da AI Robots defende que esse movimento é uma evolução que faz parte da “reumanização” da Indústria 5.0.

 

“A tecnologia é um caminho sem volta e vem modificando a forma de trabalhar. Precisamos nos atualizar constantemente, aprendendo novas habilidades e trabalhar nas nossas competências humanas, as chamadas soft skills, habilidades comportamentais, como liderança de equipe. Assim, as habilidades operacionais possam ser executadas com acurácia pelas máquinas”, destaca.

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