Projeto busca reduzir desgaste de componentes de trilhos férreos

Estudar o desgaste dos componentes de fixação dos trilhos das ferrovias da empresa Vale S.A, principalmente nas regiões mais úmidas do país, como a Estrada de Ferro Carajás, que que liga a mina de minério de ferro de Carajás, no sudeste do Pará, ao Porto de Ponta da Madeira, em São Luís, no Maranhão, e avaliar produtos para reparo em dormentes de concreto, compreendem dois objetivos do grupo de pesquisa na área de polímeros, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais da Universidade Feevale.

Sob a coordenação do Prof. Dr. Fabricio Celso, dois projetos estão sendo realizados pelos alunos dos programas de pós-graduação, na área de polímeros. O professor explica a linha das pesquisas. “Nossa problemática está relacionada basicamente na ação sobre dormentes de concreto. Um dos problemas de pesquisa está relacionado com o desgaste dos dormentes de concreto com resina polimérica e o outro está relacionado com os componentes do sistema de fixação dos trilhos ferroviários que são fabricados em polímeros.”

Ao total, 8 alunos de Iniciação Científica, 4 alunos de Mestrado, 6 alunos de Doutorado e 8 professores atuam nestes dois projetos fomentados pela Cátedra Under Rail da Vale S.A.

O professor explica que “a problemática envolve, no caso de reparo de abrasão, o estudo de produtos comerciais que são produzidos para reparo no concreto”, explica Celso. Estão sendo avaliados produtos de reparo da abrasão distintos e um terceiro produto que é destinado à prevenção da abrasão.

Devido ao local onde os dormentes estão instalados, a Estrada de Ferro Carajás, região com um longo período do ano em que o concreto fica submetido a umidade intensa, com temperaturas mais altas. “Também existe a presença do minério de ferro, que pode contribuir com a abrasão identificada nos dormentes de concreto”, complementa o professor.

De acordo com ele, foi percebido, no dia-a-dia da ferrovia, que os dormentes estão sendo substituídos devido a apresentação de defeito por desgaste excessivo. “Então, desta forma, neste projeto se busca avaliar os produtos que estão sendo comercializados para reparo e, também produtos para prevenção dessa abrasão. Neste último produto, sua proposta é proteger a superfície do concreto onde ele apresenta essa problemática inicial.”

O outro projeto envolve componentes poliméricos do sistema de fixação da ferrovia. “Basicamente a universidade vai passar para a empresa as especificações técnicas revisadas, para que esses componentes atendam à vida útil previstas em campo, pois alguns desses componentes de fixação estão apresentando desgaste antes do tempo previsto, indicado pelo fornecedor”, relata.

Ele explica que isso se deve, novamente devido às condições climáticas, mas ainda aos altos níveis de carregamento. “No caso dessa Estrada de Ferro de Carajás, principalmente, passam trens de carga com até 45 toneladas por eixo, e grande parte das referências bibliográficas que nós temos encontrado na literatura técnica, tem nos mostrado resultados até 25/30 toneladas. Então esses materiais que estão sendo utilizados hoje, provavelmente estão com uma classificação aquém daquela que é necessária à real aplicação neste tipo de ferrovia.”

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MEMÓRIA

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Ela tem 892 quilômetros de extensão, ligando a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, em Carajás, no sudeste do Pará, ao Porto de Ponta da Madeira, em São Luís (MA). Por seus trilhos, são transportados 120 milhões de toneladas de carga e 350 mil passageiros por ano. Circulam cerca de 35 composições simultaneamente, entre os quais um dos maiores trens de carga em operação regular do mundo, com 330 vagões e 3,3 quilômetros de extensão.

Inaugurada em 1985, a Estrada de Ferro Carajás não é só grande: ela também lidera o ranking das ferrovias mais eficientes do Brasil graças ao nosso constante investimento em tecnologia. Confira no vídeo abaixo.

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