Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), estratégia que otimiza o uso da terra e reduz a emissão de gases causadores do efeito estufa

Na Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP26) deste ano, um dos assuntos mais discutidos foi o aquecimento global e a necessidade de redução dos gases causadores do efeito estufa.

O acordo selado por mais de 100 países, incluindo o Brasil, em Glasgow, na Escócia, estipula a redução de 30% na emissão de metano até 2030. Esse gás é produzido pelo sistema digestivo do gado e é o segundo principal poluente, sendo superado apenas pelo gás carbônico. Vale ressaltar que está no Brasil o maior rebanho comercial de bovinos do mundo, sendo assim, o País é o quinto entre os maiores emissores mundiais de metano.

Na COP26, o Brasil comprometeu-se a reduzir em 50% a emissão de gases de efeito estufa até 2030. Segundo o conselheiro suplente do CREA-RS da Câmara de Agronomia e professor da Universidade Regional do Noroeste do Estado do RS (Unijui) Engenheiro Agrônomo Osório Lucchese, para que isto aconteça será preciso, primeiramente, reduzir o desmatamento das florestas e, em segundo lugar, reduzir as emissões de gases resultantes de combustíveis fósseis, para que, a partir disso, seja possível ampliar os projetos de captação e sequestro de gás carbônico.

A Embrapa, juntamente com algumas universidades, desenvolveu alternativas ecológicas que ajudam a reduzir as emissões de gases tóxicos como o metano. É o caso da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), uma estratégia de produção sustentável que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais em áreas comuns, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado.  

A professora e Engenheira Agrônoma da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Amanda Posselt Martins explica que solos bem manejados com integração lavoura-pecuária são capazes de sequestrar muito do gás que é emitido para a atmosfera. “O método deixa armazenado no solo em forma de matéria orgânica, mitigando essa emissão”, pontua.  

O professor Osório destaca a importância da adesão do sistema pelos produtores rurais. “O ILPF é uma forma de fazer a integração do componente florestal dentro dos sistemas produtivos. Tanto o sistema agroflorestal quanto a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta tendem a aumentar o acúmulo de carbono no sistema, sequestrando-o e colocando na biomassa vegetal. Esta estratégia tem outros efeitos complementares, principalmente no que diz respeito às questões microclimáticas, que podem estabelecer um efeito dominó, até questões climáticas mais avançadas.”  

O sistema vem crescendo, cada vez mais, no Brasil, nos últimos anos. Na safra 2020/2021 estão estimados 17 milhões de hectares que adotaram a ILPF, segundo a Embrapa, sendo que há outros 48 milhões de hectares em potencial de expansão. 

É possível adaptar o ILPF a qualquer propriedade, porém há diversos aspectos que precisam ser levados em consideração na hora de implementar o sistema, como explica a professora Amanda. “Não existe um modelo de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Cada propriedade rural, até porque a gente também tem que levar em conta aspectos socioculturais na hora de definir o sistema de produção, vai ter o seu melhor modelo.”  

Para os pequenos produtores que querem aderir à estratégia é preciso procurar o órgão de assistência técnica ou uma universidade para que possa ser orientado sobre como fazer. Segundo o professor Osório Lucchese, esta área exige um profissional especializado, pois se trabalha com componentes não comuns de modo integrado.  

Os professores da UFRGS, a fim de ajudar na expansão desse conhecimento, produzem boletins técnicos com linguagem mais simples para que os produtores leigos no assunto consigam compreender. A professora Amanda Posselt também está participando de eventos promovidos por uma parceria entre Farsul, Senar e Sebrae que levam para o interior palestras de técnicos e professores, apresentando a importância da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.  

Os custos e o retorno econômico positivo irão depender do objetivo do produtor, das mudanças que serão feitas e da intensidade, enfatiza a Engenheira Amanda.  

O ILPF é uma estratégia que auxilia na redução dos gases do efeito estufa e, consequentemente, colabora para melhorias na sustentabilidade e nos sistemas de produção dentro e fora das propriedades, como finaliza o professor e conselheiro suplente, Osório Lucchese. “O conjunto de melhorias que o sistema traz pode reduzir as perdas de nutrientes no solo e melhorar a dinâmica hidrogeológica da unidade de produção e da propriedade. A estimativa é que possamos otimizar a produção do leite em 20% e a produção da carne em até 10% por área. É uma melhoria do processo coletivo como um todo”, finaliza.

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