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Engenheiros e Fonoaudióloga criam máscara inclusiva que permite leitura labial

Atualizado: 8 de Dez de 2020

NOVIDADES TÉCNICAS


A ideia partiu da fonoaudióloga Cíntia Bonfante Pereira, especialista em neuropsicologia e fonoaudiologia neurofuncional. “Devido às dificuldades que encontrei em realizar meus atendimentos presenciais, nos quais necessito que o paciente possa ver minha boca e, até mesmo, visualizar o meu rosto inteiro para criar vínculo e ter uma maior interação, tive a necessidade de adaptar a máscara convencional”, conta. Ela atende crianças e adultos pós-episódios de lesão cerebral que, muitas vezes, têm dificuldades de comunicação.

Luiz Bonfante e Deanna Accorsi Bonfante com a máscara inclusiva

Para desenvolver a máscara, Cíntia contou com a parceria de Alex Fabiano de Mattos e Filipe Chaves de Macedo, ambos Engenheiros Mecânicos formados pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Os dois aprimoraram e colocaram a ideia em prática. “O processo de desenvolvimento foi bastante complexo em função da geometria da máscara. Tínhamos o desafio de modelar em 3D uma alternativa ideal que oferecesse ao usuário final a proteção, mas sem esquecermos do conforto durante o período de utilização do item”, explica Alex.

Haste flexível com 3 estágio de regulação


Cíntia relata que, apesar de a ideia ter surgido para ajudar os pacientes no consultório, ela percebeu que a máscara também seria importante para que pessoas com deficiência pudessem realizar outras tarefas do dia a dia que ficaram mais difíceis. “A máscara tradicional, além de abafar o som, não permite a leitura labial nem a visibilidade da expressão facial, o que faz parte do processo de comunicação com eficiência”, pontua.


Engenheiros mecânicos de Caxias do Sul, Alex Fabiano de Mattos e Filipe Chaves de Macedo, desenvolvem máscara inclusiva, pensada pela fonoaudióloga Cíntia Bonfante Pereira, que atende pacientes com dificuldades de comunicação

A fonoaudióloga explica que a inclusão proporcionada pela máscara vai além das pessoas surdas: “Os idosos que estão diminuindo a sua acuidade auditiva estão também tendo dificuldade de compreender quando as pessoas falam com eles usando máscaras convencionais. O mesmo acontece com crianças com deficiência, como autismo que, além de ter outras dificuldades de comunicação, apresentam déficits de interação social que são intensificados com o uso das máscaras tradicionais. Além disso, no processo de alfabetização é imprescindível que o aluno, para poder apender, possa ver o rosto do professor e a sua articulação”, esclarece.


Esta foi a primeira vez que os engenheiros participaram do desenvolvimento de um material inclusivo. Segundo Alex, o maior desafio foi chegar em um conceito final para tornar a máscara mais segura e confortável para o usuário. Para ele, entretanto, valeu a pena: “Nos sentimos muito honrados e gratificados por poder participar do projeto de desenvolvimento de um item que tem como principal função oferecer segurança e proteção para o usuário e, principalmente, para a sociedade, cuidando do próximo”, disse. 


A parceria entre as duas áreas do conhecimento demonstra que a responsabilidade social é fundamental em todas as profissões. “Acreditamos que qualquer ação que proporciona inclusão, além de trazer benefício à pessoa com deficiência, traz consigo o papel de conscientização da sociedade sobre a importância da inclusão e o respeito a todos, sem distinção. Todos temos os mesmos direitos e quando nos colocamos no lugar do outro entendemos porque precisamos de adaptações para que todos possam viver bem”, sintetiza Cíntia. 

Fonoaudióloga Cíntia Bonfante Pereira, especialista em Neuropsicologia, formada pela UFRGS


Alex Fabiano de Mattos, engenheiro mecânico formado pela UCS


Filipe Chaves de Macedo, engenheiro mecânico também formado pela UCS

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