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Novos desafios

Atualizado: Set 30


Mauricio Paulo Batistella Pasini

Engenheiro Agrônomo, Doutor, Professor da Universidade de Cruz Alta


Eduardo Engel

Engenheiro Agrônomo, Mestrando em Entomologia (USP)


Embora o cenário e as informações estiveram ou estão divididos, com interesses por estruturas, que geram reflexos e impactam a sociedade como um todo, em algumas situações o conhecimento técnico inerente é perdido e a ignorância é combatida com ignorância.

Arquivo pessoal

O panorama associado à nuvem de gafanhotos dominou discussões, trazendo à tona nossa capacidade de resposta a eventos, muito em função da proporção e do tamanho do dano imediato dos indivíduos. Embora o risco exista, temperaturas baixas, direção e velocidade dos ventos, não favoráveis ao organismo, contribuíram para mitigar as probabilidades.


Diferentemente dessa realidade, associada à proporção dos eventos, alguns insetos têm por característica buscar novos ambientes de maneira silenciosa e passam a ser percebidos quando suas densidades populacionais atingem níveis passíveis de gerar impactos econômicos aos cultivos e, em algumas situações, podendo os inviabilizar.

“O tamanho dos insetos está cada vez menor, contudo, o impacto econômico está cada vez maior”

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um exemplo. Distribuída em grande parte do território do Estado, estabeleceu-se associada à cultura do milho, aumentando suas densidades populacionais, passando a se tornar de um inseto associado, com baixas densidades, para, na última safra, um inseto com altas densidades, tornando-se junto com o percevejo barriga-verde e a lagarta-do-cartucho, um dos principais insetos-praga para o cultivo. Destaca-se que, nesse processo de evolução populacional e novas espécies, Tripes, nos próximos anos, pode se tornar também uma das principais pragas da cultura do milho.


Insetos-praga, quando não ocorrem fatores ambientais ou ações de manejo que limitam suas densidades populacionais, passam a aumentar suas populações. Nesse sentido, a cigarrinha-do-milho, a cada 25 dias (tempo varia em função da temperatura do ambiente, inversamente), uma nova geração se estabelece, sendo que, cada fêmea, coloca de 400 a 600 ovos, dos quais a uma razão sexual de 50% e uma mortalidade de 50% até atingir a fase adulta. A cada geração, para cada indivíduo, temos um fator multiplicador de 100, ou seja, um indivíduo após 25 dias, gera outros 100, após 50 dias, 10 mil, após 75 dias, 1 milhão e após 100 dias outros 100 milhões de indivíduos.


Embora para um indivíduo os danos em uma planta podem ser irrisórios, quando a densidade de insetos aumenta, muito em função da característica do dano associado à cigarrinha, o impacto na eficiência produtiva do cultivo passa a ser maior, no contexto em que a planta tem sua produção de fotoassimilados e a cigarrinha e um dreno.


Contudo, embora os impactos associados ao dano da cigarrinha-do-milho em altas populações sejam significativos, eles são pequenos em função dela ser vetor de vírus e molicutes, originando nas plantas sintomas de enfezamento e viroses, os quais podem evoluir e promover a perda de plantas, tombamentos, má formação e espigas de milho.

Ressalta-se que a cigarrinha-do-milho se encontra distribuída em todas as regiões produtoras de milho no Estado do RS. Mas é importante destacar que nem toda a cigarrinha carrega agentes causais de doenças, contudo, atenção e monitoramento são pressupostos, pois trata-se de um inseto que pode inviabilizar a cultura do milho.

Artigo Agronomia
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