Resiliência


Eng. Agr. Dr. Mauricio Paulo Batistella Pasini Conselheiro da Câmara de Agronomia do CREA-RS


A palavra que resume 2020. ​ Um ano atípico, desafiador, de alto risco, com grandes oportunidades para indivíduos, empresas e instituições resilientes. Contudo, o processo de enxergar, muitas vezes, é distante. ​ Resiliência para insetos é um termo difícil de se aplicar. Seu conceito está associado à capacidade de um indivíduo se adaptar e sobreviver. Para ocorrer, precisa de períodos sazonais, fato que, quando atrelado a um organismo de curto período de vida, como insetos, a seleção natural passa a predominar, onde os indivíduos mais aptos ao ambiente sobrevivem. ​ A constante mudança do ambiente, embora ocorra a predominância de uma cultura, faz com que alguns insetos passem a ser selecionados, sendo hoje, para as culturas anuais, um grupo de cinco insetos, predominantes em nossos principais cultivos. O fato de ter no Brasil grandes diferenças nas latitudes, não mitigou a ocorrência desses cinco grupos: Complexo Spodoptera, Tripes, Mosca-branca, Percevejos e Vaquinha, sendo estes responsáveis por pelo menos 10% do potencial produtivo de nossas commodities. Essa seleção também é presente em outros países, como no Paraguai. ​ Um ambiente seco, com restrição hídrica, possibilita que muitos insetos, que passam parte do seu ciclo de desenvolvimento no solo, não tenham seus controladores naturais atuantes, nesse caso, fungos e bactérias, fazendo com que suas populações aumentem suas densidades e passem a gerar impactos econômicos para a cultura. Além disso, ambientes com constância de ventos atrelados à baixa umidade relativa do ar, possibilitam que insetos de pequeno tamanho passem a migrar, dispersando-se no sentido dos ventos. ​ Esse cenário narrado vincula-se ao que ocorreu com a Tripes, que há mais de quatro anos vem em um constante aumento populacional. Aos poucos, os indivíduos foram sendo selecionados, os mais aptos passaram a sobreviver em nossos sistemas de cultivo, passando não só às plantas cultivadas, mas também a plantas daninhas. Na última safra, o ambiente com restrição hídrica favoreceu o aumento populacional e, neste ano, os prognósticos incertos mostram “novamente restrição ou normalidade” indicando, não pelo ambiente, mas pela ocorrência generalizada em nossos ambientes produtivos, que Tripes, nessa safra exigirá resiliência em nosso manejo fitossanitário. ​ Em seu manejo não podemos nos restringir a A ou B, mas sim a um manejo integrado, partindo do monitoramento e tomadas de decisões não em função de estádios de desenvolvimento, mas em densidades populacionais. ​ Na safra 2019/2020, a diferença entre manejar e não manejar Tripes, na produtividade, foi superior a 20%.


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