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NOTA TÉCNICA CONJUNTA
DESENVOLVIMENTO FLORESTAL SUSTENTÁVEL E O FUTURO DO RIO GRANDE DO SUL

Sabrina Marques Wolf - Presidente da Associação Gaúcha de Engenheiros Florestal (AGEF); Janaina de Almeida Rocha - Presidente da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais (SBEF); Juliano Zanatta Nicolodi - Presidente da Sociedade dos Engenheiros Florestais Autônomos do Estado do Rio Grande do Sul (SEFARGS); Luiz Geraldo Cervi - Presidente da Sociedade Santamariense de Engenheiros Florestais (SOSEF);

As entidades de classe dos Engenheiros Florestais abaixo assinaladas vêm manifestar publicamente seu apoio à empresa CMPC Brasil e ao Projeto Natureza.

O empreendimento consiste em um complexo industrial e florestal de produção de celulose, é considerado o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, representando um investimento de cerca de R$ 27 bilhões com geração de 40 mil empregos, sendo 12 mil empregos somente na construção da fábrica de celulose. Trata-se, portanto, de um projeto estratégico, com potencial de gerar impactos positivos expressivos nas áreas econômica, social, ambiental e tecnológica.

Nesse contexto, a possível perda ou inviabilização do investimento previsto, como já ocorrido no início dos anos 2000 com projetos da Votorantim e da Stora Enso, reacende um debate estratégico sobre o futuro do desenvolvimento econômico, ambiental e social.

O setor florestal brasileiro é reconhecido mundialmente como referência em produtividade, manejo sustentável e conservação ambiental. As florestas plantadas destinadas à produção de celulose não representam desmatamento de florestas nativas ou de áreas de conservação ambiental, mas sim cultivos renováveis planejados, conduzidos sob rígidos critérios técnicos, legais e ambientais, implantados e manejados em mosaicos junto a áreas naturais e outros cultivos agropecuários nas microbacias hidrográficas.

No Rio Grande do Sul, dados da Ageflor (ano-base 2023) indicam que para cada hectare de silvicultura (Pinheiro-americano, Eucalipto, Acácia-negra), cerca de 0,85 hectare de área nativa é conservado. As áreas de conservação, que incluem Áreas de Preservação Permanente (APP’s) e Reservas Legais (RL’s), representam aproximadamente 38,6% da área total dos empreendimentos florestais no Estado.

A cadeia produtiva gaúcha da madeira cultivada também possui enorme importância econômica e social. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) classificou a silvicultura como um dos 12 segmentos de desenvolvimento prioritários para o Estado, merecidamente, uma vez que a cadeia produtiva ligada ao setor promove a geração de aproximadamente 320 mil empregos diretos e indiretos, representando um Produto Interno Bruto (PIB) de 4,1%, o aumento da renda regional, o fortalecimento da infraestrutura local, a exportação de US$ 1,75  bilhões de dólares anuais (2024), a tributação de 2 bilhões reais/ano, o desenvolvimento tecnológico/científico e a criação de oportunidades para pequenos, médios e grandes produtores rurais através de programas de fomento florestal.

De acordo com a Ageflor (ano-base 2023), a área dedicada à silvicultura no Rio Grande do Sul ocupa apenas 4,5% da área destinada ao agronegócio, o que representa 974 mil hectares, distribuídos em 63,4% de Eucalipto (648 mil), 31% de Pinheiro-americano (317 mil) e 5,6% de Acácia-negra (57 mil). Conforme o Plano de Manejo Florestal (CMPC, 2025), os ativos florestais atuais da CMPC totalizam 511.807,52 hectares. Desse total, 42,22% (216.089 ha) são áreas nativas protegidas ou em restauração, enquanto 268.562 ha são destinados ao plantio de Eucalipto sob manejo, distribuídos por 73 municípios.

Importa destacar que os plantios necessários para o abastecimento da futura fábrica encontram respaldo no planejamento territorial vigente. O Rio Grande do Sul é o único estado brasileiro que possui o Zoneamento Ambiental da Silvicultura (ZAS), instrumento da Política Estadual do Meio Ambiente, atualizado em 2025, que disponibiliza uma área de aproximadamente 5,2 milhões de hectares ao desenvolvimento da silvicultura no Estado, distribuídos nas regiões Serra, Encosta do Sudeste, Depressão Central, Litoral, Norte, Noroeste e Campanha.

A silvicultura moderna é baseada em princípios de sustentabilidade que envolvem o manejo responsável do solo e da água, a conservação de áreas de Reserva Legal e APPs, o monitoramento ambiental contínuo, a recuperação de áreas degradadas, a redução da pressão sobre florestas e campos nativos e a rastreabilidade e certificações ambientais internacionais. Todos esses princípios convergem para benefícios socioeconômicos diversos como a geração de emprego e renda no meio rural e urbano, além do aumento na arrecadação de impostos, beneficiando de forma indireta a saúde, a educação e a infraestrutura dos municípios envolvidos com projetos de desenvolvimento florestal.

Tais fatos se dão pois empreendimentos de grande porte, como fábricas de celulose, atuam como âncora de desenvolvimento regional impulsionando investimentos em logística, energia, inovação, qualificação profissional e prestação de serviços.

Dados do Projeto Natureza indicam a atuação direta e indireta em, pelo menos, 75 municípios gaúchos. No município de Barra do Ribeiro, onde está prevista a instalação da nova unidade industrial maior que a atual localizada em Guaíba, projeta-se a triplicação do PIB, atualmente em R$ 581 milhões (IBGE, 2023). Da mesma forma, estão previstos investimentos associados ao Porto de Rio Grande, bem como melhorias em rodovias, pontes e acessos.

Ao mesmo tempo, é fundamental que todo processo de licenciamento ambiental ocorra com transparência, segurança jurídica, diálogo social, respeito às comunidades tradicionais e à legislação brasileira, o que já vem sendo feito pela empresa, fato comprovado e validado pelos órgãos competentes, como a Fepam. Desta forma, causa-nos estranheza a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal envolvendo o processo de licenciamento ambiental.

Destacamos que a falta de segurança jurídica afasta investimentos e reduz oportunidades de desenvolvimento. Enquanto o Rio Grande do Sul amplia incertezas e insegurança jurídica, outros estados e países consolidam ambientes mais seguros e previsíveis para investimentos sustentáveis.

A madeira cultivada é um recurso renovável, estratégico e essencial para a transição para uma economia mais verde e sustentável, além de sua maior capacidade de resiliência às mudanças climáticas. Investir em florestas plantadas é investir em energia limpa, descarbonização, produtos renováveis, empregos e desenvolvimento regional de longo prazo. Nesse cenário, o setor florestal consolida-se como um dos pilares do desenvolvimento sustentável, da competitividade econômica e da bioeconomia brasileira.

Portanto, o Projeto Natureza possui potencial para fortalecer ainda mais o protagonismo do Rio Grande do Sul na produção de base florestal renovável e na geração de valor, emprego, renda e tributos a partir de recursos sustentáveis.

Destacamos, ainda, o papel fundamental dos Engenheiros Florestais em todas as etapas relacionadas à atividade silvicultural, desde o planejamento e implantação dos plantios até o monitoramento ambiental, o manejo sustentável dos recursos florestais e a gestão dos processos produtivos associados. Trata-se do profissional legalmente habilitado e tecnicamente capacitado para atuar de forma integrada na cadeia produtiva florestal. Inclusive, o Estado do Rio Grande do Sul possui três escolas de Engenharia Florestal: nas Universidades Federais de Santa Maria (UFSM) e do Pampa (UNIPAMPA), situadas nos municípios de Frederico Westphalen, Santa Maria e São Gabriel.

Como entidades representativas da categoria, reiteramos nosso posicionamento favorável ao desenvolvimento responsável e sustentável do setor florestal gaúcho e à implantação da nova fábrica da CMPC Brasil em Barra do Ribeiro, por entendermos que o empreendimento representa uma importante oportunidade de crescimento econômico, geração de empregos, fortalecimento da bioeconomia e desenvolvimento sustentável para o Rio Grande do Sul.

AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO ABAIXO ASSINADAS MANIFESTAM MOÇÃO DE APOIO À ESTA NOTA TÉCNICA CONJUNTA

BRUNA DENARDIN DA SILVEIRA

Coordenadora do curso de graduação em Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus Santa Maria

CRISTIANE PEDRAZZI

Coordenadora do Programa de Pós Graduação em Engenharia Florestal (PPGEF)  da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus Santa Maria

HAMILTON LUIZ MUNARI VOGEL

Coordenador do curso de graduação em Engenharia Florestal da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus São Gabriel

 

HILDA HILDEBRAND SORIANI

Coordenador do curso de graduação em Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus Frederico Westphalen

 

RODRIGO FERREIRA DA SILVA

Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Agricultura e Ambiente (PPGAAA) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus Frederico Westphalen

 

WILLIAN FERNANDO DE BORBA

Coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Campus Frederico Westphalen

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