top of page

Débora Luana Pasa, Drª. Engenheira Florestal. CREA RS 212.548

Florestas e Carbono: A Contribuição da Engenharia Florestal para o Futuro Climático

As secas prolongadas, tempestades intensas, o aumento do nível do mar e a perda de biodiversidade são consequências cada vez mais evidentes dos eventos climáticos extremos, tornando o combate às emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) uma prioridade global. Entre os recursos naturais capazes de mitigar esse problema, as florestas se destacam como uma das maiores aliadas na luta contra as mudanças climáticas. A Engenharia Florestal, enquanto campo de conhecimento e prática voltada para o manejo e preservação dos ecossistemas florestais, desempenha um papel crucial na regulação do carbono atmosférico e na promoção de um futuro climático mais sustentável.

O Papel das Florestas no Ciclo do Carbono

As florestas têm uma função central na dinâmica global de carbono, pois atuam como sumidouros de carbono, ou seja, absorvem e armazenam dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. A fotossíntese realizada pelas plantas, especialmente pelas árvores, converte o CO₂ em matéria orgânica, que é armazenada na biomassa das árvores, nos solos e em outros componentes dos ecossistemas florestais. As florestas tropicais, por exemplo, representam os ecossistemas mais biodiversos do mundo e são um componente essencial do ciclo global de carbono, contribuindo mais para o sequestro e estoques de carbono do que qualquer outro bioma no planeta (ESQUIEVEL-MUELBERT et al., 2019). No entanto, a degradação das florestas, seja por desmatamento, queimadas ou práticas inadequadas de manejo, contribui para a liberação de grandes quantidades de carbono na atmosfera, exacerbando o efeito estufa. Isso cria um ciclo vicioso, onde a perda de florestas impulsiona as mudanças climáticas, que, por sua vez, agravam a degradação ambiental. Nesse contexto, a preservação, recuperação e o manejo sustentável das florestas são essenciais para mitigar as emissões de carbono e para promover o equilíbrio climático (Wagner e Lima, 2024).

Florestas e Carbono: A Contribuição da Engenharia Florestal para o Futuro Climático

Integração da Engenharia Florestal com o Mercado de Carbono

A Engenharia Florestal é uma área que se dedica ao planejamento, manejo, conservação e recuperação de florestas e outros ecossistemas florestais. Esse campo multidisciplinar envolve conhecimentos de biologia, ecologia, silvicultura, tecnologia e gestão ambiental, com o objetivo de otimizar a produção de bens e serviços florestais de forma sustentável. Em relação ao carbono, a Engenharia Florestal tem uma contribuição única ao desenvolver práticas de manejo que favoreçam a captura e o armazenamento de carbono, além de buscar soluções para a restauração de ecossistemas degradados. O trabalho desse técnico inclui desde o plantio e manejo de espécies nativas e exóticas até a implementação de técnicas de regeneração natural e recuperação de áreas desmatadas.

O mercado de carbono tem se consolidado como uma das ferramentas mais importantes para a mitigação das mudanças climáticas. Esse mercado permite que empresas, governos e indivíduos compensem suas emissões de CO₂ investindo em projetos que contribuam para a remoção ou redução de gases de efeito estufa, como as iniciativas de reflorestamento e preservação de florestas. A Engenharia Florestal desempenha um papel crucial na implementação de projetos de carbono, especialmente em relação à medição, monitoramento e verificação dos créditos gerados. Por meio de sistemas de monitoramento remoto, inventários florestais e análises de carbono, os Engenheiros Florestais podem fornecer dados precisos sobre a quantidade de carbono sequestrado em determinada área. Os dados obtidos são essenciais para garantir a transparência e a confiabilidade dos créditos de carbono no mercado global.

Desafios e Oportunidades para a Engenharia Florestal

A contribuição da Engenharia Florestal para o combate às mudanças climáticas é incontestável e vasta. No entanto, existem desafios significativos, porém não associados diretamente aos profissionais, que precisam ser superados. Entre eles estão o desmatamento ilegal, a falta de políticas públicas eficazes para a preservação das florestas e a necessidade de investimentos em pesquisa, inovação e conservação.

Todavia, o aumento da conscientização sobre as mudanças climáticas tem levado a um maior interesse por parte de governos, empresas e sociedade civil em soluções baseadas na natureza. A Engenharia Florestal tem um papel fundamental em ajudar a desenvolver essas soluções, seja por meio de novos modelos de negócios baseados no mercado de carbono, seja por meio da implementação de práticas de manejo sustentável que atendam às necessidades ambientais e econômicas.

O Futuro Climático e a Contribuição da Engenharia Florestal

O futuro climático dependerá, em grande parte, das decisões que tomarmos hoje em relação ao uso da terra, à preservação da biodiversidade e ao combate às emissões de gases de efeito estufa. As florestas desempenham um papel central nesse processo e devemos garantir que esses ecossistemas cumpram sua função de forma eficiente e sustentável (Santos, et al 2020).  A contribuição da Engenharia Florestal para o futuro climático vai além da simples mitigação dos efeitos do aquecimento global. Ela envolve a construção de um futuro no qual as florestas sejam preservadas, restauradas e manejadas de forma a garantir o equilíbrio dos ecossistemas e o bem-estar das gerações futuras. A integração de conhecimento técnico, práticas sustentáveis e políticas públicas eficazes será fundamental para enfrentar o maior desafio ambiental da nossa era.

 

Em suma, as florestas são um pilar essencial na luta contra as mudanças climáticas, e profissionais capacitados são imprescindíveis para garantir que o potencial dessas florestas seja plenamente realizado. Ao investir em ciência, tecnologia e práticas de manejo inteligente, podemos construir um futuro climático mais resiliente, onde o carbono é capturado e armazenado de maneira eficaz, promovendo a sustentabilidade e o equilíbrio ambiental para as próximas gerações.

 

Palavras-chave: mudanças climáticas, preservação e recuperação florestal, oportunidades

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

Esquivel-Muelbert, A. et al. Compositional response of Amazon forests to climate change. Glob Change Biol. 2019; 25:39–56. DOI: https://doi.org/10.1111/gcb.14413

 

Wagner, C., & Lima, R. A. (2024). Estratégias de conservação e uso sustentável de áreas protegidas na região Amazônica: uma revisão sistemática. Journal of Biotechnology and Biodiversity, 12(1), 015–023. https://doi.org/10.20873/jbb.uft.cemaf.v12n1.17587

 

Santos KS et al. Mudanças climáticas e suas relações com o uso da terra no município de Alta Floresta - Amazônia Meridional Brasileira. Biodiversidade Brasileira, 11(3): 1-11, 2021. DOI: 10.37002/biobrasil.v11i3.1703.

bottom of page